QUEM É O ALEMÃO?

No difícil ano de 2020, foi um enorme orgulho realizar uma campanha para divulgar a publicação do livro da autora Fernanda Chazan: O Alemão levou a vovó!

A edição argentina do livro se esgotou e a Q8 adorou receber no seu catálogo a versão brasileira, com ilustrações fofas da argentina Alejandra Romero e um narrador criança, de 8 anos, o Santi, com quem a gente aprende muito sobre as dificuldades de conviver com um paciente com Alzheimer e conversa um pouco sobre a necessidade de se acostumar com a ideia de que todos vamos morrer um dia.

As despedidas são cheias de saudades e dor, mas a autora Fernanda Chazan traz leveza para um momento tão difícil e, mais ainda, com a campanha de crowdfunding no site da Benfeitora ela leva ajuda as famílias assistidas pela Associação Brasileira de Alzheimer.

E o melhor é que a campanha permite que todos nós façamos parte dessa corrente de benfeitores. Basta acessar aqui e garantir o seu: https://benfeitoria.com/oalemaolevouavovo

Você também pode ser um Benfeitor!

Se você tem curiosidade ou precisa de alguma luz sobre o assunto, a Live de lançamento do livro contou com a participação da geriatra e especialista em cuidados paliativos Dra. Juliana Anísio, vale a pena conferir.

Se esse post foi útil pra você, ajude-nos a compartilhá-lo, pode ajudar outras pessoas também.

Até a próxima.

Q8📚

Vídeo Clip – Minha Valente Avó

E você pode cantar junto:

“A voz de vovó me levou para passear no tempo Costurou o hoje, no ontem, no amanhã Pedacinhos de sonhos e esperança Em cada passarinho a própria liberdade

Onde você for eu vou Num suspiro uma canção Seja pra falar de amor Ou fazer revolução

Onde você for eu vou Num suspiro uma canção Seja pra falar de amor Ou…

Minha vó valente Minha valente avó Ela está sempre comigo E eu nunca ando só

Minha vó valente Minha valente avó Ela está sempre comigo E eu nunca ando só.”

Música de Edu Prestes / Ilustrações Marilia Pirillo / Produção Andrea Capella

1 Poema para João – Você aceita um poema por uma cadeira?

A Escritora Andrea Vivana Taubman em uma parceria inédita com o ilustrador Camilo Martins, trazem para a Quase Oito o livro “Um poema para João”.

O poema surgiu depois da escritora Andrea Viviana Taubman, curiosa e apaixonada, conhecer o menino João com paralisia cerebral e sua família. A autora se questionava “Para onde olha João?”, o que ele pensa, quais seus desejos e o que ele de fato tem “mingau batido com devoção”, essa era só uma das possibilidades de João. Quem não conhece as potências das crianças coma paralisa cerebral não entende. É preciso ter empatia, de um lado, e de outro lado, uma cadeira… Explico: as cadeiras para crianças com paralisia cerebral são os tênis que as permitem desbravar o mundo (dentro das suas limitações) e permitem que os integrantes de suas famílias sigam suas vidas e mantenham-se firmes e esperançosos no futuro.

Ver a vida na horizontal é uma situação limitante, e destinada apenas para casos extremos, uma cadeira é o veículo para impulsionar o conhecimento e alguma autonomia dessas crianças e jovens com paralisia cerebral. Mas essas cadeiras funcionam como nossos tênis, a gente cresce e nosso tênis precisa aumentar de tamanho. E se um tênis é caro, imagina uma cadeira especial? E ë a deficiência física mais comum na infância, no mundo!

“No Brasil há uma carência de estudos que tenham investigado especificamente a prevalência e incidência da paralisia cerebral (PC) no cenário nacional(…) estima-se que a incidência de PC nos países em desenvolvimento seja de 7 por 1.000 nascidos vivos(…) A explicação para a diferença na magnitude da prevalência entre estes dois grupos de países é atribuída às mas condi’coes de cuidados pré-natais e ao atendimento primário à gestantes”. Essas são informações oficiais retiradas do site: https://paralisiacerebral.org.br.

O que uma editora pode fazer em relação a isso?

O livro é um instrumento de representatividade, e a Quase Oito nasceu com a preocupação de chegar a quem precisava de livros e precisava se ver representado. O encontro da Q8 com “Um poema para João” é um casamento que permite gerar representatividade e ainda quer ajudar a uma das muitas famílias assistidas pela ONG One by One garantindo a compra de uma cadeira nova com parte da renda arrecadada com o livro.

E, então, você aceita um poema por uma cadeira?! Quem comprar o livro “UM POEMA PARA JOÃO” não apenas ganha um poema lindamente ilustrado pelo Camilo Martins e editado por nós, mas também colabora na compra de uma CADEIRA NOVA para uma criança ou jovem com paralisia cerebral.

Nós da Quase Oito temos muito orgulho de mediar esse encontro de muitas partes. E de dar a você a oportunidade de fazer parte dessa cadeia do bem!

Conheça mais sobre o Projeto na Live do Youtube:

Minha valente avó

Homenagem às avós valentes!

de Andreia Prestes, Ana Prestes e Edu Prestes

Um livro sobre mulheres que lutaram contra a ditadura militar e hoje são avós!

Há cerca de 50 anos, o Brasil vivia um dos períodos mais autoritários de sua existência: a ditadura militar. De lá pra cá, muitas histórias de mulheres perseguidas por defenderem a liberdade de expressão se perderam. O hiato vivenciado entre as gerações fez com que as escritoras e o escritor de Minha Valente Avó percebessem que, embora as famílias de desaparecidos políticos e perseguidos pela ditadura cultivem essas memórias dentro de seus lares, as narrativas continuam distantes do público geral.

Em Minha valente avó, episódios surpreendentes da história do Brasil são contados por uma avó que leva sua neta para casa após a escola. No caminho, a neta desfruta com alegria a companhia da avó e descobre, pormeio dos relatos, uma mulher corajosa. A menina também acaba aprendendo mais sobre si mesma e sobre a política. 

A belíssima ilustração de Marilia Pirillo transporta as pequenas leitoras e leitores a um país governado por mandões. Ao mesmo tempo em que mostra momentos difíceis daquele período, Marilia revela nas páginas o profundo afeto que existe entre neta e avó.

Em um período dramático da história do Brasil, quando novamente surgem episódios de repressão ao livre pensamento com a ascensão de forças políticas autoritárias e saudosas dos porões da ditadura, nada melhor do que dialogar com as novas gerações sobre os perigos que rondam a democracia brasileira. 

Importante também é registrar a homenagem às avós e avôs que defenderam o Brasil com muita coragem e valentia em nome da liberdade, da democracia e da justiça social. 

Roberto de Oliveira – jornalista com pós graduação em Gestão Estratégica de Comunicação. É rapper e fundou nos anos 1990 a banda Nocaute, que foi uma das indicadas ao Grammy Latino na categoria “melhor álbum de rap/hip hop” no ano de 2002.
Na tv, apresentou os programas Jornal Futura e Conexão Futura. Atualmente escreve matérias para o site e a revista da União Brasileira de Compositores (UBC).

Uma eternidade partilhada – a resenha de Lila em Moçambique na 451, por um autor que gostaríamos que fosse nosso: Mia Couto!

Lembranças da infância em Moçambique inspiram autora a fazer ponte entre a ditadura brasileira e a guerra no país africano

Mia Couto

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Ilustração de Camilo Martins

Prestes, Andreia
Lila em Moçambique

ILS. Camilo Martins Quase Oito • 42 pp • R$ 49,90

Os países acontecem no tempo. Num momento, um país brilha. No instante seguinte, escurece. Os nossos encontros com as terras são cruzamentos de duas entidades vivas. Terras e gente visitam-se reciprocamente. Lugares e pessoas trocam de alma, misturam-se num mesmo novelo vivo que é a viagem sempre inacabada. 

Andreia Prestes foi feliz no seu encontro com Moçambique. E recorda nesse belo livro as circunstâncias dessa recíproca revelação: ela, ainda menina, descobrindo o mundo; e a nação moçambicana, acabada de nascer, brigando para ser um novo país num mundo já tão cheio de bandeiras. A saudade de Andreia converte-se em palavra. Mas também se torna cor, vozes, panos e cantos. A essa arte de contar uma história em figuras e cores se junta Camilo Martins, o inspirado ilustrador. Contos mostram relação com mais velhos em Moçambique e no Brasil

A ditadura militar tinha forçado a família de Andreia Prestes a fugir do Brasil. Parece que aconteceu há muito tempo. Mas a vontade de recriar essa ditadura voltou hoje a ser uma ameaça em terras brasileiras. Este livro não apenas recorda esse passado obscuro. Este livro é um alerta contra a possível renovação desse passado.  

Moçambique do livro é mais que uma geografia: é uma pátria infinita, um regresso reinventado à infância 

A família que escapava à perseguição política encontrou em Moçambique não apenas um refúgio, mas uma terra onde valia a pena voltar a nascer. Os moçambicanos lutavam pela consolidação de dolorosas conquistas: a liberdade, a justiça social, a independência nacional. Nem tudo era feito de felicidade. Acontecia naquela altura a guerra movida por Estados vizinhos contra essa nova nação africana, uma nação negra rodeada de regimes racistas brancos. Essa guerra matou 1 milhão de moçambicanos. E obrigou mais de 4 milhões de pessoas a procurarem, como já tinha acontecido antes com Lila, um refúgio no exterior. As memórias mudam de cor, mas a tristeza nunca toma conta da narradora. 

Recordar, reacordar

Andreia lembra um tempo em que a rua era um quintal. E a varanda da casa era a internet, o lugar onde sonho e realidade vinham brincar. Este Moçambique que Andreia e Camilo celebram é mais que uma geografia: é uma pátria infinita, um regresso sempre reinventado a que chamamos infância. O livro fala dessa infância não como uma nostalgia, mas como uma eternidade partilhada.
Ter infância é como o acordar dos versos de João Cabral de Melo Neto. “Acordar”, dizia o poeta, “é ter saída. Acordar é reacordar-se.” Nessa obra de recordações, nos reacordamos mais juntos, mais felizes, mais cheios de esperança. 

Este texto foi realizado com o apoio do Itaú Cultural e publicado no site: https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/l/uma-eternidade-partilhada
 

Infância, o caminho de casa – 1 resenha do nosso Okan – a casa de todos nós. Livro escrito e ilustrado pela autora Luciana Nabuco

por Igor Gonçalves

Acredito que escrever seja, em última instância, pregar uma peça na vida que fenece a cada instante. Por meio das palavras, nos inscrevemos no mundo e podemos nos eternizar. É a literatura uma forma de jogar com nossa finitude, com nossas limitações diárias. Por isso há textos que conseguem nos deixar em suspenso; que têm o dom enxertar nossas vidas.

NABUCO, Luciana. Okan.

Rio de Janeiro: Quase Oito, 2018.

“Okan”, de Luciana Nabuco é, sem dúvida, um exemplo de livro que consegue nos preencher, não só de esperanças, mas também de questionamentos acerca da criança que fomos e das crianças que nos atravessam os dias. A autora constrói com o bico da pena e com a ponta do pincel narrativas que dialogam com o que há de mais sensível em nós.

Por meio de uma narrativa delicada, a autora apresenta a beleza e a complexidade do ser criança. Acompanhando Mandu, o protagonista da história, é possível nos debruçarmos sobre a infância que se alarga até o seu último limite, com todas as suas alegrias e perdas.

O menino Mandu é teimoso e ao mesmo tempo emocionado com o mundo. Fazia questão de acordar antes do sol nascer, para ser o primeiro a dar bom dia para ele. Desejava saber o que havia do outro lado das montanhas que cercavam sua aldeia. Queria desvelar o desconhecido.

Mandu “sabia que se abrisse os olhos veria além”. Talvez seja esse “ver além” aquilo que perpassa todas as infâncias de todos os tempos. A visão que ultrapassa o imediatismo do cotidiano. O menino, tal qual Manoel de Barros, sabe que seu quintal é maior do que o mundo. E com ele podemos retornar ou redescobrir nossos quintais interiores; brincar nos chão fresco de nossa existência; renovar a alma a partir da palavra poética.

Luciana, com a sutileza da mãe que embala sua criança, apresenta uma infância que foi há séculos sufocada pelo processo de escravização. Mandu é uma criança que vive com seu povo antes da chegada dos europeus, que viriam a dizimar tantas culturas e etnias. Mandu simboliza a infância de cada criança sequestrada de seus pais. Pouco se discute, mas sabe-se que apenas nos primeiros cinquenta anos do século 19, quase 800 mil crianças foram traficadas para o trabalho escravo no Brasil.

Não é raro abrirmos um livro didático e encontrarmos fotos e pinturas de crianças negras escravizadas, trabalhando em plantações, cuidando de outras crianças. Nabuco traz à tona a outra face dessas crianças. Mandu nos mostra que havia crianças na África, e que elas também brincavam, faziam travessuras.

A palavra “okan” em Iorubá significa “coração”. Um dos mais belos ensinamentos que ele recebe de sua mãe é o de que “sua casa é onde você coloca o seu okan”. E não seria a infância o okan a latejar dentro de cada um de nós? Mandu é o coração de nossa infância perdida.

O livro nos proporciona o instante da pausa para olhar o céu, beber água no rio. Podemos até lavar o rosto e contemplar nossa infância, mesmo que em águas turvas. Com Mandu, podemos olhar para dentro de nós mesmos. Podemos ouvir nosso coração, que está plantado em nossa infância.

Sem que seja sua intenção, Luciana nos aponta o caminho de casa. É sempre tempo de voltar. Mesmo que no trajeto ainda seja preciso recolher os farelos de nosso passado, os despojos de nossa história.

Igor Gonçalves é escritor, contador de histórias e professor de Literatura, especialista em Formação de Leitores. E é autor do blog: Nós Educação – https://www.noseducacao.net.br/post/infância-o-caminho-de-casa e quem sabe em breve não será um novo autor Quase Oito, hein?! 😘

Compre o seu aqui:

EDITORA QUASE OITO NA FLIP

A gente está muito feliz! Nossa estreia na Flip vai acontecer em grande estilo, ao lado de Eduardo Lacerda e Pricila Gunutzmann (Ed. Patuá) e Natan Magalhães (Ed. Moinhos) na Casa do desejo – Literatura que desejamos, na Rua Fresca, Centro Histórico.

Esperamos por vocês com novidades, autores convidados e muito bate papo sobre livros, histórias, mercado e sarau de poesia!

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