Infância, o caminho de casa

por Igor Gonçalveshttps://www.noseducacao.net.br/post/infância-o-caminho-de-casa

Acredito que escrever seja, em última instância, pregar uma peça na vida que fenece a cada instante. Por meio das palavras, nos inscrevemos no mundo e podemos nos eternizar. É a literatura uma forma de jogar com nossa finitude, com nossas limitações diárias. Por isso há textos que conseguem nos deixar em suspenso; que têm o dom enxertar nossas vidas.

NABUCO, Luciana. Okan.

Rio de Janeiro: Quase Oito, 2018.

“Okan”, de Luciana Nabuco é, sem dúvida, um exemplo de livro que consegue nos preencher, não só de esperanças, mas também de questionamentos acerca da criança que fomos e das crianças que nos atravessam os dias. A autora constrói com o bico da pena e com a ponta do pincel narrativas que dialogam com o que há de mais sensível em nós.

Por meio de uma narrativa delicada, a autora apresenta a beleza e a complexidade do ser criança. Acompanhando Mandu, o protagonista da história, é possível nos debruçarmos sobre a infância que se alarga até o seu último limite, com todas as suas alegrias e perdas.

O menino Mandu é teimoso e ao mesmo tempo emocionado com o mundo. Fazia questão de acordar antes do sol nascer, para ser o primeiro a dar bom dia para ele. Desejava saber o que havia do outro lado das montanhas que cercavam sua aldeia. Queria desvelar o desconhecido.

Mandu “sabia que se abrisse os olhos veria além”. Talvez seja esse “ver além” aquilo que perpassa todas as infâncias de todos os tempos. A visão que ultrapassa o imediatismo do cotidiano. O menino, tal qual Manoel de Barros, sabe que seu quintal é maior do que o mundo. E com ele podemos retornar ou redescobrir nossos quintais interiores; brincar nos chão fresco de nossa existência; renovar a alma a partir da palavra poética.

Luciana, com a sutileza da mãe que embala sua criança, apresenta uma infância que foi há séculos sufocada pelo processo de escravização. Mandu é uma criança que vive com seu povo antes da chegada dos europeus, que viriam a dizimar tantas culturas e etnias. Mandu simboliza a infância de cada criança sequestrada de seus pais. Pouco se discute, mas sabe-se que apenas nos primeiros cinquenta anos do século 19, quase 800 mil crianças foram traficadas para o trabalho escravo no Brasil.

Não é raro abrirmos um livro didático e encontrarmos fotos e pinturas de crianças negras escravizadas, trabalhando em plantações, cuidando de outras crianças. Nabuco traz à tona a outra face dessas crianças. Mandu nos mostra que havia crianças na África, e que elas também brincavam, faziam travessuras.

A palavra “okan” em Iorubá significa “coração”. Um dos mais belos ensinamentos que ele recebe de sua mãe é o de que “sua casa é onde você coloca o seu okan”. E não seria a infância o okan a latejar dentro de cada um de nós? Mandu é o coração de nossa infância perdida.

O livro nos proporciona o instante da pausa para olhar o céu, beber água no rio. Podemos até lavar o rosto e contemplar nossa infância, mesmo que em águas turvas. Com Mandu, podemos olhar para dentro de nós mesmos. Podemos ouvir nosso coração, que está plantado em nossa infância.

Sem que seja sua intenção, Luciana nos aponta o caminho de casa. É sempre tempo de voltar. Mesmo que no trajeto ainda seja preciso recolher os farelos de nosso passado, os despojos de nossa história.

Igor Gonçalves é escritor, contador de histórias e professor de Literatura, especialista em Formação de Leitores.

Instituto Desiderata

O Instituto Desiderata trabalha há mais de 15 anos para mudar a realidade de muitos pequenos que estão encarando de frente o câncer no Rio de Janeiro. A partir deste ano, estamos juntos também pela prevenção da obesidade infantojuvenil. Este livro ajuda a que todas as nossas ações continuem a fortalecer a saúde pública e a trazer mais e mais atenção, carinho e humanização para aqueles que precisam. É através de ações de mobilização, capacitação de profissionais de saúde, humanização do tratamento e produção e disseminação de conhecimento que vamos mudando essa realidade. Um trabalho de formiguinhas que juntas construíram uma rede de pessoas voltadas para colocar a saúde de crianças e adolescentes em primeiro lugar!

Os direitos autorais sobre as vendas dos livros Maricota Pipoca e Os amigos da Floresta serão revertidos para a instituição.

 

 

A Aventura de Maria Clara

 

   A vida às vezes é um corre-corre e parece que ninguém presta atenção na gente. Nem mesmo dentro de casa. Só mesmo o olhar aventureiro da criança e do artista pode nos resgatar. O livro A aventura de Maria Clara trata, sobretudo, de transformações. O dia a dia sempre pode se tornar uma grande viagem, basta colocar cores diferentes. Muitas vezes coisas que estão perto de nós podem também ser reinventadas, como a pasta de couro do pai que vira um baú para guardar os tesouros que Maria Clara encontra nas suas pinturas. E assim, a menina acaba religando também sua família. A aventura imaginária torna todos mais presentes, juntos não por uma atividade passiva como a tv ou o computador, mas pelo imaginário e seu poder de recriação.

     Desde o início Maria Clara resgata aventureiros para dentro do seu barco. E não importa o tamanho: grandes ou pequenos, os leitores vão gostar de viajar numa história colorida com o olhar poético da autora Patrícia Capella e os crayons mágicos da ilustradora Cecília Murgel. Para embarcar, basta seguir a bússola que toda criança guarda no coração.

                                                                    Marcia Cristina Silva

Chris Ritchie quer reduzir o tempo online das crianças. Autora santista está prestes a lançar seu livro infantojuvenil ‘Ainda não, ainda nunca’

Saiu em A tribuna, em 21.03.2019:

“A escritora santista Chris Ritchie lançará o livro infantojuvenil ‘Ainda não, ainda nunca’ neste sábado (23). O evento será na livraria Patuscada (Rua Luís Murat, 40, Pinheiros, em São Paulo) e tem início às 14h.

A obra conta a história de Marina, de 6 anos, que mora em um apartamento de frente à uma praça com lago e chafariz (uma representação da Fonte do Sapo, em Santos). Em um dia chuvoso, a garotinha desenha a praça debaixo d’água.

Este desenho acaba levando o leitor na interpretação que Marina tem da vizinhança, assim como nos pensamentos sobre a chuva, que não para. Com a ajuda de sua amiga Suk Lim, a menina embarca em uma expedição para descobrir qual é o motivo da vitória-régia não molhar e nem afundar.

Nesta obra, a ideia da autora foi destacar a imaginação e a criatividade das crianças, que muitas vezes não é percebida pelos mais velhos como um artifício para a interação. “Com este livro, espero chegar a muitas sessões de desenho e conversas com crianças, especialmente em dias de chuva, quando não tem nada para fazer”.

A relação de Chris com o mundo artístico começou cedo. Além de ter crescido em uma casa cheia de livros, a autora é a quarta pessoa de sua família a se envolver com a literatura. Da mesma forma que carrega um amor pela literatura, a santista tem um imenso carinho pela música. “Meu pai, escocês, adorava ouvir compilações de Bach ou Mozart aos finais de semana. Minha mãe era mais ligada à MPB. Acho importante frisar o papel da música na formação de um ouvido sensível ao som e ao sentido. Nada disso me escapou, assim como não escapavam as palavras em variadas entonações – as palavras me intrigavam mesmo antes de aprender a ler e escrever”.

Para os próximos meses, a santista pretende ler, escrever e publicar mais. “Espero lançar meu romance ‘Sob os escombros’ ainda este ano. Gostaria, também, de mudar a forma de realizar negócio no mercado editorial”, adianta a autora. ”

 

 

A menina e a sapatilha e O menino e a chuteira

Olha aqui o processo de ilustração de mais este título incrível da Quase Oito!

Por  Cristina Villaça

A menina e a sapatilha
Quem disse que futebol não é coisa de menina?
Esta aqui é vidrada em futebol.
Torce, vibra, grita, chuta bolas imaginárias.
Mas, quando seus pais não aceitam sua vontade de se tornar jogadora, ela fica quase invisível, em seu cantinho. Até que um encontro faz com que nunca esqueça sua verdadeira vocação.
Outro encontro acontece neste livro: texto e ilustrações se encaixam e se complementam a partir de um projeto gráfico que torna este livro ainda mais envolvente.
De frente pra trás, de trás pra frente.
O menino e a chuteira
De trás pra frente, de frente pra trás.
Palavras e imagens se encontram neste livro.
Só mesmo um encontro feliz pode realizar desejos.
Às vezes, os adultos não entendem os quereres das crianças.
É preciso deduzir que, às vezes, seus desejos podem revelar verdadeiros talentos.
Esta é a história de um menino que dança, rodopia e quase flutua quando ouve música.
Ele gosta de todas as coisas que os meninos gostam, videogame e praia.
Mas o que ele quer mesmo é se tornar um bailarino.
Quem disse que balé não é coisa de menino?
Sobre o livro: Texto de Alex de Andrade
Ilustrações: Fabio Maciel – https://www.fmaciel.com/
Projeto Gráfico: Patrícia Melo – Varal Editorial – https://www.facebook.com/varaleditori…
Editora Quase Oito – http://quaseoito.com.br/ Loja Quase Oito – http://quaseoito.com.br/loja/

É de menina? OU É de menino?

O brincar, aos olhos de muitos adultos, corresponde simplesmente
ao passatempo das crianças e momentos de ócio. Entretanto,
para as crianças, a brincadeira vai muito além de uma distração.
É no brincar que elas ressignificam, representam e simbolizam,
fazendo com que o ato da brincadeira seja mediador da sua
relação com as outras crianças e com o mundo a sua volta,
fazendo que se sintam participantes ativos na sociedade.
Fernanda Turino, em É de menina, é de menino, traz esse
olhar, fazendo-nos refletir, principalmente, quando a brincadeira
é dividida no binarismo meninas e meninos. Quem nunca ouviu
as frases “Só meninos brincam de carrinho” e “Isso é brincadeira
de menina”?
Quantas vezes já nos perguntamos, quando criança, “Por
que os meninos não podem brincar de bonecas?” e “Por que
as meninas não podem brincar de carrinho ou soltar pipa?”.
No momento em que as crianças estão inseridas no ato da
brincadeira, é uma forma de manifestarem suas vivências ou
sentirem-se próximas à família, quando estes estão longe. Estes
momentos são de grande desenvolvimento cognitivo, emotivo
e social para as crianças.

Aqui em É de menina, é de menino, os caminhos de meninas
e meninos se cruzam, brincando de diferentes maneiras. Lendo
este livro, satisfazemos as curiosidades das crianças e geramos
outras, aprendemos e ensinamos, e permitimos às crianças
leitoras assimilar e expressar seus desejos e anseios.
Autora e ilustrador nos apresentam, de maneira simples e
agradável, a alegria e a importância das crianças vivenciarem
e experimentarem as diversas formas de brincar, expondo suas
experiências, nas quais sua visão de mundo possa ser construída
a partir do respeito às diferenças… brincando.

Luis Carlos Cunha, professor formado em
Pedagogia pela Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ). Atua em pesquisa e no
magistério há dez anos, sendo quatro na
Educação Infantil da rede privada.

Evento de Lançamento: “Um Divagar em Alta Velocidade” e “A Menina e Árvore”

O lançamento dos livros de Leticia Sardenberg e Luciana Peralva, na Flip, em Paraty, foi o maior sucesso!
O pessoal do Rio de Janeiro que não pôde ir reclamou, pediu e a gente resolveu fazer também por aqui. Pensamos em um lugar que tivesse mais livros e que reunisse pessoas que gostam de ler. Achamos uma super parceira que gosta de tudo que a gente gosta, e nos recebeu de braços abertos, logo ali, entre Botafogo, flamengo, laranjeiras.
Nossa parceira é a Lúcia Helena. Ela trabalha numa praça tranquila, um oásis no mundo dos carros que nos cerca por todos os lados.

E nosso lançamento será lá: na Biblioteca Machado de Assis!

Dia 25/08/2018, às 13:30hs até as 16hs.

Confiram o convite aí!